The Beatles
Com a formação inicial de Lennon,
McCartney, Harrison, Stuart Sutcliffe (baixo) e Pete Best (bateria),
os Beatles construíram sua reputação nos pubs de Liverpool e Hamburgo durante
um período de três anos a partir de 1960. Sutcliffe deixou o grupo em 61, e
Best foi substituído por Starr no ano seguinte. Abastecida de equipamentos
profissionais moldados por Brian Epstein, que depois se ofereceu para gerenciar a
banda, e com seu potencial reforçado pela criatividade do produtor George
Martin, os Beatles alcançaram um sucesso imediato no Reino Unido com
seu primeiro single "Love Me Do". Ganhando
popularidade internacional a partir do ano seguinte, excursionaram
extensivamente até 1966, quando retiraram-se para trabalhar em estúdio até
sua dissolução definitiva em 1970. Cada músico então seguiu para uma carreira
independente. McCartney e Starr continuam ativos; Lennon foi assassinado em
1980, e Harrison morreu de câncer em 2001.The Beatles foi uma banda de rock britânica,
formada em Liverpool em 1960. É o grupo musical mais bem-sucedido e
aclamado da história da música popular.[1] A partir de 1962, o grupo era formado por John
Lennon (guitarra rítmica e vocal), Paul McCartney (baixo, piano
e vocal), George Harrison (guitarra solo e vocal) e Ringo Starr (bateria
e vocal). Enraizada do skiffle e do rock and roll da década
de 1950, a banda veio mais tarde a assumir diversos gêneros que vão
do folk rock ao rock psicodélico, muitas vezes incorporando
elementos da música clássica e outros, em formas inovadoras e
criativas. Sua crescente popularidade, que a imprensa britânica chamava de "Beatlemania",
fez com que eles crescessem em sofisticação. Os Beatles vieram a ser percebidos
como a encarnação de ideais progressistas e sua influência se estendeu até as revoluções
sociais e culturais da década de 1960.
Durante seus anos de estúdio, os
Beatles produziram o que a crítica considera um dos seus melhores materiais,
incluindo o álbum Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967),
amplamente visto como uma obra-prima. Quatro décadas após sua dissolução,
a música do grupo continua a ser muito popular. Os Beatles tiveram mais álbuns
em número 1 nas paradas britânicas do que qualquer outro grupo musical. De
acordo com a RIAA, eles venderam mais álbuns nos Estados Unidos do
que qualquer outro artista. Em 2008, a Billboard divulgou
uma lista dos top-selling de todos os tempos dos artistas Hot 100 para
celebrar o cinquentenário das paradas de singles dos Estados Unidos, e a banda
permaneceu em primeiro lugar. Eles já foram honrados com 8 Grammy
Awards, e 15 Ivor Novello Awards da BASCA. Segundo
estimativas, já venderam entre 600 milhões e mais de 1 bilhão de discos em todo
o mundo. Os Beatles foram coletivamente incluídos na compilação da revista Time das 100
pessoas mais importantes e influentes do século XX.
História
1957-1962: Formação
Em Março de 1957, empolgado com o skiffle que Lonnie
Donegan popularizou com seus sons improvisados, John Lennon criou
uma banda composta por colegas da escola Quarry Bank School — que incluía seu
melhor amigo na época, Pete Shotton — primeiramente chamada de The
Black Jacks, mas logo definida como The Quarrymen (em
homenagem à escola).[13] Inicialmente, além dos dois, a
banda era composta por Eric Griffths (violão), Bill Smith (baixo improvisado) e
Rod Davis (banjo). Em 6 de julho de 1957, Paul McCartney havia
assistido uma apresentação da banda em uma festa na Igreja St. Peter, e Ivan
Vaughan, amigo de John Lennon e colega de classe de Paul, apresentou-lhe a
Lennon; Paul foi convidado a ingressar na banda e, no mesmo ano, mostrou a
Lennon a composição "I've Lost My Little Girl". Em 6
de fevereiro de 1958, o jovem guitarrista George Harrison juntou-se à
banda, apresentado por Paul que o teria conhecido por acaso num
ônibus. Apesar da relutância inicial de Lennon pelo fato de Harrison ser
três anos mais novo que ele (na época, com quinze anos), McCartney insistiu
depois de uma demonstração de George e este terminou ingressando no grupo.
Lennon e McCartney desempenharam a guitarra rítmica durante esse período e,
após o baterista oficial do Quarrymen, Colin Hanton deixar a banda,
em 1959, depois de uma discussão com os outros membros, teve uma alta
rotatividade de bateristas. Stuart Sutcliffe, colega de Lennon numa escola
de arte de Liverpool, aderiu ao baixo em janeiro de 1960, a
pedido do amigo.
Como Paul e George estudavam no
Instituto de Liverpool, não seria mais apropriado chamar a banda por "Quarrymen" e,
então, o grupo passou por uma progressão de nomes, incluindo "Johnny
and The Moondogs" e "Long John and The Beatles".
Sutcliffe sugeriu o nome "The Beetles" como homenagem a Buddy
Holly e "The Crickets". Após uma turnê com Johnny
Gentle na Escócia, a banda mudou definitivamente seu nome para "The
Beatles". A primeira esposa de John, Cynthia Lennon, argumenta
que o título "The Beatles" veio a John no Renshaw
Hall bar, depois de ele beber cerveja. Lennon, que era conhecido por dar
diversas versões da história, ironizou num artigo da revista Mersey
Beat de 1971 que teve uma visão onde "um homem, numa torta
flamejante, disse: 'Vocês são Beatles com A'. Durante uma entrevista em
2001, McCartney atribuiu a si o nome definitivo da banda, afirmando que
"John tivera a ideia de nos chamar de 'The Beetles'; eu disse: 'por que
não Beatles?; você sabe, como a batida da 'bateria'.
Em maio de 1960, os então Silver
Beetles realizaram uma turnê no norte da Escócia, com o cantor Johnny
Gentle, a quem a banda havia conhecido uma hora antes de sua primeira
apresentação. McCartney refere-se à viagem como uma grande experiência para
a banda. Naquela época os Beatles não tinham um baterista fixo, assim,
profissionais desse gênero tocavam para eles apenas em determinadas ocasiões.
1960-62: Hamburgo, o Cavern Club e
Brian Epstein
O Indra Club nos dias atuais, onde os
Beatles tocaram na primeira visita a Hamburgo, Alemanha
Encontrando-se sem um baterista antes
de seu próximo compromisso, em Hamburgo, Alemanha, o grupo convidou Pete
Best para assumir a posição em 12 de agosto de 1960. Best
tinha até então tocado com o grupo "The Blackjacks"
no The Casbah Coffee Club — uma adega em Derby, Liverpool,
onde os Beatles tocavam e visitavam algumas vezes — que pertencia à sua mãe,
Mona Best. Quatro dias após a entrada de Best, o grupo partiu para Hamburgo;
Lá, eram obrigados a se apresentarem seis ou sete horas por noite durante sete
dias por semana e provavelmente estimulavam-se com bebidas e drogas. O
repertório era de covers de rock'n'roll dos anos 1950,
basicamente americanos. Em 21 de novembro de 1960, Harrison foi
deportado por ter mentido às autoridades alemãs sobre sua idade. Após um
incêndio acidental — envolvendo Paul e Pete — no quarto onde dormiam, a polícia
os prendeu e os deportou em dezembro. John retornou para Liverpool com
eles em meados de dezembro, sem dinheiro e triste. O grupo reuniu-se para
uma performance em 17 de dezembro de 1960 no Casbah
Club, com Chas Newby, músico que substituía Sutcliffe. Ele havia
ficado em Hamburgo, com sua nova paixão – Astrid Kirchherr – que
conheceu por lá; Embora Sutcliffe tenha voltado a Liverpool no ano seguinte, em
fevereiro, para visitar amigos e a família, retornou novamente para o
território alemão duas semanas depois. Astrid mudou o corte de cabelo de
Stuart e logo John, Paul e George adotaram penteados semelhantes, o que mais
tarde se tornaria uma marca registrada da banda.
Os Beatles retornaram a Hamburgo em
abril de 1961, com apresentações no "Top Ten Club".
Enquanto tocavam nesse local, foram recrutados pelo músico Tony Sheridan a
agirem como sua banda de apoio em suas apresentações na Alemanha e numa série
de gravações para a Polydor Records Alemã, produzidas pelo famoso Bert
Kaempfert. Paul afirmou posteriormente que o grupo chamava Sheridan de "o
professor"; foram as primeiras gravações dos Beatles. Mais tarde,
Tony foi premiado com o disco de ouro pela vendagem acima de um
milhão de cópias do LP Tony Sheridan and The Beatles. Quando
o grupo retornou a Liverpool, Sutcliffe permaneceu em Hamburgo, mais uma vez,
com Kirchherr. McCartney assumiu as funções de Sutcliffe, na qual foi muito bem
sucedido.
The Cavern Club, Liverpool,
Inglaterra, em 2008: local onde os Beatles fizeram cerca de 292
apresentações e onde começaram a definir sua carreira
Retornando a Liverpool, o grupo
realizou sua primeira aparição no famoso The Cavern Club, numa terça-feira
de 21 de fevereiro de 1961. A banda se apresentou 292 vezes
no Cavern Club entre 1961 e 1963. Em 9 de novembro de 1961, Brian
Epstein, dono da loja de música North End Music Store (NEMS) na Great Charlotte
Street, viu o grupo pela primeira vez no clube. Intrigado com o som da banda, e
maravilhado com seu carisma (sobretudo o de John), Epstein decidiu
empresariá-los.
Em uma reunião com os Beatles na NEMS,
em 10 de dezembro de 1961, Epstein propôs a ideia de gestão da
banda. Os Beatles assinaram um contrato de cinco anos com Epstein em 24
de janeiro de 1962 e ele se tornou o empresário oficial
deles. Com Brian Epstein como empresário do grupo, o primeiro passo foi
mudar a imagem dos integrantes, substituindo as roupas de couro por algo mais
formal. Epstein conduziu a procura dos Beatles na Inglaterra em encontrar
um contrato de gravação. Ele era gerente do departamento de gravações da NEMS,
ramo que seu avô deixou de herança, uma loja de instrumentos musicais, discos
de música, entre outras coisas. Nessa época, ele apostou no status da NEMS como
uma importante distribuidora para obter acesso a empresas de gravações e a
produtores executivos. O executivo Dick Rowe, da agora famosa troca Decca
Records A&R, respondeu-lhe na época que "bandas com guitarras
estão fora de moda, Sr. Epstein".
Enquanto Epstein negociava com a
Decca, ele também abordou o executivo de marketing Ron White, da EMI. White,
que não desempenhava a função de produtor musical na gravadora, por sua vez,
contatou os produtores Norrie Paramor, Walter Ridley e Norman Newell (todos da
EMI) e todos os três negaram produzirem gravações dos Beatles. Contudo, White
não havia abordado o quarto produtor da EMI, e também administrador — George
Martin — que estava de férias na época. Os Beatles voltaram a
Hamburgo a partir de 13 de abril a 31 de maio de 1962,
onde fizeram uma apresentação de abertura no The Star Club. Após
a chegada, foram informados que Stuart Sutcliffe estava morto devido a uma hemorragia
cerebral.
1962: Contrato de gravação e Ringo
Starr
Entrada do prédio do estúdio de
gravações Abbey Road Studios em 2007: local onde os Beatles
gravaram durante toda sua carreira e onde mostraram pela primeira vez a George
Martin o que sabiam fazer
Ainda abalados com a morte de Stuart e
sem perspectivas de progresso profissional, os Beatles continuaram a fazer
shows em Hamburgo e Liverpool, mas visivelmente desanimados..[40] Enquanto isso, depois de não conseguir
impressionar a Decca Records, Epstein foi para a loja HMV na Rua
Oxford, em Londres, e transformou os teipes que havia utilizado
na Decca em um disco. Epstein conseguiu encontrar com George Martin da Parlophone (subsidiária
da EMI) e levou o material. Martin, interessado no som da banda e, segundo o
próprio, "considerado um produtor rebelde e independente à
época", aceitou uma audição.
O teste foi gravado por Ron Richards e
seu engenheiro Norman Smith (que, posteriormente, deixou os trabalhos como
engenheiro de som, para se tornar Hurricane Smith), que registraram quatro
músicas, ouvidas posteriormente por George Martin, que não estava presente
durante a gravação). Ao final, o veredicto não foi muito promissor: Richards
reclamou da bateria de Pete Best e George Martin achou que
as canções originais não eram boas o suficiente. No entanto, Martin pediu a
cada um dos Beatles que dissessem se existia alguma coisa que não teriam
gostado. Seguindo a linha de humor do grupo, George Harrison respondeu:
"Bem, em primeiro lugar, não gostamos da sua gravata". Esse foi o
ponto de virada, de acordo com Smith, na medida em que John Lennon e Paul
McCartney emendaram ao comentário piadas e trocadilhos, o que fez Martin
perceber que os integrantes eram espirituosos e sagazes, concluindo que a banda
tinha um talento cru e muito humor, e que, musicalmente, poderia melhorar. Pesou, ainda, na decisão, conforme
Martin declararia posteriormente, o fato de que a EMI não tinha "nada a
perder".
A banda então assinou um contrato de
um ano, renovável, com a EMI. A primeira sessão de gravação dos Beatles na
EMI com Martin foi marcada no dia 6 de junho de 1962, no famoso Abbey
Road Studios, no norte de Londres. O contrato, entretanto, também não
era uma maravilha: os rapazes receberiam 1 centavo a cada disco
vendido, dividido pelos quatro integrantes e descontada, antes, a comissão de Brian
Epstein, que era de 25% da renda bruta do conjunto. Após o lançamento de
"From Me To You", George Martin sugeriu à EMI que os royalties da
banda fossem dobrados, adiantando-se a qualquer reclamação judicial, o que o
levou a ser visto como um "traidor na EMI".
Como resultado da avaliação de Pete
Best, Martin acertou que contrataria um baterista para as gravações, enquanto
Brian poderia usar Pete Best nas apresentações. Isso ocorreu, principalmente,
pelo fato de que os fãs dos Beatles na época não poderiam suportar vê-los sem
Best. Os três membros-fundadores da banda – George, Paul e John – pediram a
Brian que ele demitisse Pete Best, e foram atendidos. No dia 16 de
agosto de 1962, Pete chega ao escritório de Brian, e esse lhe diz:
"George [Martin] não quer você no grupo", o que deixa Neil Aspinall –
motorista nas excursões da banda – furioso. A partir disso, o grupo
começou a cogitar alguns nomes para assumir a função de baterista. Entre esses
nomes, estavam o de Johnny Hutchinson, que recusou por ser amigo de
Pete. A grande esperança deles foi convidar Richard Starkey –
conhecido como Ringo Starr – que já era baterista da famosa "Rory
Storm and the Hurricanes", e que também já havia tocado com os Beatles
em algumas apresentações de Hamburgo. Em 19 de agosto, três dias após
a demissão de Pete, Ringo, definitivamente como baterista, tocou com os Beatles
no Cavern; a apresentação gerou confusão, pois o público repudiou a
nova formação, e chegaram a gritar "Pete para sempre, Ringo nunca!",
e "queremos o Pete!"; Harrison teria sido agredido nessa
apresentação.
O Abbey Road Studios lateralmente,
focando o estacionamento, em 2007: com o "Please Please Me", lançado
em 22 de março de 1963 e gravado entre 11 de setembro de 1962 a 11
de fevereiro de 1963, a banda gravou profissionalmente pela primeira vez
neste prédio.
A primeira gravação dos Beatles com
Lennon, McCartney, Harrison e Starr juntos aconteceu em 15 de outubro de 1962,
na demonstração de uma série de gravações registradas particularmente em
Hamburgo, onde atuaram simultaneamente como grupo de apoio da cantora Lu Walter. Starr tocou com os Beatles em sua
segunda sessão de gravação na EMI, em 4 de setembro de 1962, e
Martin "alugou" o baterista Andy White – que já havia
tocado com Bill Halley em 1957, apresentação que Paul assistiu em
Liverpool–para tocar na próxima sessão, no dia 11 de setembro. A
única apresentação realizada por White foi nas canções "Love Me Do" e
"P.S. I Love You", incluídas no primeiro álbum da banda. Nessa
sessão, produzida por Ron Richards, Ringo tocou pandeiro ou outro instrumento
de percussão quando a função de baterista era desenvolvida por Andy.
A primeira sessão dos Beatles na EMI
de Londres, em 6 de junho de 1962, não rendeu uma gravação digna
de lançamento, conforme pode ser ouvido em Beatles Anthology Volume 1, que
trouxe duas das músicas gravadas nesta sessão. Em 4 de setembro, produziram a
primeira versão de "Love Me Do", compacto que chegou à
17ª posição da parada britânica.
Na mesma sessão, gravaram "How Do
You Do It", por pressão de Martin, que considerou esta uma canção melhor e
mais vendável do que as originais oferecidas por Lennon & McCartney,
fadada ao sucesso imediato. A contragosto, gravaram a versão que foi lançada
mais de 30 anos depois, em Beatles Anthology Volume 1. A previsão de
Martin estava correta: Gerry & the Pacemakers gravaram uma
versão da música, também produzida por Martin, que permaneceu três semanas em
primeiro lugar, em abril de 1963, antes de ser desbancada por "From Me to
You". Quanto à versão gravada pelos Beatles, estes objetaram e
pressionaram, de maneira que o material pronto foi engavetado. Em 11 de setembro
de 1962, os Beatles regravaram "Love Me Do", desta vez com o
baterista de estúdio, Andy White, enquanto Ringo Starr participava tocando
pandeiro e maracas. Devido a um erro do arquivo de fitas da EMI, a versão
gravada em 4 de Setembro, com Starr tocando bateria, foi incluída no single,
tendo como lado B a música "P.S. I Love You". Depois disso, depois a
fita foi descartada e a gravação de 11 de setembro, com Andy White na bateria,
além de integrar o primeiro LP dos Beatles, Please Please Me, passou a ser
utilizada como padrão para todas as versões posteriores.
1962–63: Fama no Reino Unido
McCartney, Harrison, cantora pop sueca Lill-Babs e
Lennon no set do programa sueco Drop-In, 30 de Outubro de 1963.
Em 26 de novembro de 1962,
a banda gravou seu segundo single, "Please Please Me" (não confundir
com o álbum homônimo), que atingiu o primeiro lugar na Inglaterra no
início de 1963. Com o lançamento da canção "Love Me Do" em
outubro de 1962, os Beatles apareceram pela primeira vez na televisão, no
programa People and Places, transmitida ao vivo em Manchester,
na TV Granada, em 17 de outubro de 1962. A crescente
histeria que a banda começou a criar nesta época, principalmente em jovens do
sexo feminino, ficou conhecida como "Beatlemania".
Em 4 de novembro de 1963, os Beatles
apresentaram-se no Royal Variety Performance, em Londres, na presença da família
real britânica e, consequentemente, da rainha Isabel II do Reino
Unido. Nessa apresentação, John teria dito: "Para a próxima música
vamos pedir ajuda da plateia. As pessoas que estão nos lugares baratos,
aplaudam. O resto pode chacoalhar as joias." Mais tarde, gravaram seu
segundo álbum, With the Beatles, que acabou com a hegemonia de
trinta semanas de "Please Please Me" no primeiro
lugar das paradas britânicas.
A banda também começou a ser notada
por críticos musicais sérios. Em 23 de dezembro de 1963, o
crítico musical William Mann, do The Times, publicou uma resenha
descrevendo algumas teorias musicais a respeito de canções como "Till
There Was You" e "I Want to Hold Your Hand". A
respeito do álbum With the Beatles, Mann, em 27 de dezembro de 1963,
destacou a estrutura harmônica da canção "Not a Second Time",
como sendo "também típica nas canções de andamento mais rápido dos
Beatles, e ficamos com a impressão que pensam simultaneamente em harmonia e
melodia, tal a firmeza com que as sétimas e nonas maiores e sobredominantes
estão incorporadas nas canções, tal a naturalidade da cadência eólicas no fim
de "Not a Second Time" (a sequência que conclui a Das
Lied von der Erde, de Gustav Mahler". Contudo, os Beatles não
tinham conhecimento profundo de teoria musical na época e a resenha de Mann
transformou-se em parte do mito da banda, principalmente pelo termo
"cadências eólicas" que Lennon, em 1980, comentou: "Até hoje não
sei o que elas são. Parecem aves exóticas."
1963–64: Sucesso americano
Embora a banda experimentasse uma
popularidade enorme nas paradas britânicas no início de 1963, a gravadora
norte-americana Capitol Records, subsidiária da EMI (em que o grupo estava
contratado), negou produzir os compactos "Please Please Me" e "From
Me to You", primeiro sucesso do grupo que alcançou primeiro lugar no
Reino Unido.[58] Se a produção acontecesse de
primeiro momento, o grupo inglês arriscaria, na mesma época, sucesso nos
Estados Unidos. A Vee-Jay Records, uma pequena gravadora de Chicago, Estados
Unidos, lançou esses singles como parte de um negócio para os direitos de outro
intérprete. Art Roberts, diretor musical da estação de rádio World's
Largest Store (WLS) de Chicago, incluiu "Please Please Me" na
rádio em fevereiro de 1963, provavelmente a primeira vez que foi ouvida uma
canção dos Beatles no território americano, embora isso seja discutido; os
direitos do Vee-Jay aos Beatles foram cancelados mais tarde por não-pagamento
de royalty.

Diversas estações de rádio nova-iorquinas já começavam a tocar "I Want to Hold Your Hand" na sua programação. A resposta positiva para a gravação que havia começado em Washington duplicou em Nova Iorque e rapidamente se espalhou a outros mercados. A gravação vendeu um milhão de cópias em apenas dez dias, e a revista Cashbox certificou-a como número um. Era o momento dos Beatles irem aos Estados Unidos. Em agosto de 1963, a Swan Records lançou "She Loves You", que também não foi executada nas rádios. Em 3 de janeiro de 1964, Jack Paar mostrou em seu programa uma apresentação de "She Loves You" gravada ao vivo na Inglaterra: foi a primeira aparição dos Beatles na televisão americana. Embora tivessem feito sucesso rapidamente na Inglaterra e sido igualmente bem sucedidos em alguns países europeus, os Beatles ainda não tinham conquistado o mercado norte-americano. Pensando em conquistar os Estados Unidos, Brian Epstein, no começo de novembro de 1963, procurou o presidente da gravadora Capitol Records para lançar um single com a canção "I Want To Hold Your Hand", e conseguiu firmar um contrato com um popular apresentador de televisão americano, Ed Sullivan, para que os Beatles fossem até lá se apresentarem em seu programa. Antes da Capitol, como já foi citado, algumas gravadoras já haviam lançado discos dos Beatles naquele país, como a Vee-Jay e a Swan, mas nenhum sucesso tinha sido obtido. Embora não houvesse grandes expectativas pela Capitol em relação aos Beatles, a CBS (canal de televisão americano) apresentou um documentário de cinco minutos sobre o fenômeno da beatlemania na Inglaterra, no programa CBS Evening News. A primeira demonstração desse pequeno documentário seria mostrada de manhã no CBS Morning News em 22 de novembro e uma reprise passaria na tarde do mesmo dia no CBS Evening News, mas a transmissão foi cancelada por conta do assassinato de John F. Kennedy naquele dia.
No começo de 1964, a Capitol decidiu
fazer valer a pena os direitos que detinha do grupo nos Estados Unidos para
coincidir com a primeira excursão da banda à América. Brian Epstein foi um dos
grandes responsáveis pela data marcante. Indo a Nova Iorque, elaborou com a
Capitol uma mídia enorme: foram colocados seis milhões de cartazes pelas ruas
dos Estados Unidos com mensagens do tipo "Os Beatles Vem
Aí"; todos os discotecários das rádios receberam discos dos Beatles; e
foram distribuídos um milhão de jornais com quatro páginas contando a carreira
do grupo. Essa elaboração de expectativa de que um grande grupo estaria
vindo em direção foi a mais importante viagem na carreira dos quatro
integrantes, como veremos a seguir.
1964-66: A Beatlemania atravessa o
Atlântico
Em 7 de fevereiro de 1964,
uma multidão de quatro mil fãs ingleses no Aeroporto Heathrow acenou
para os "garotos de Liverpool", que partiam pela primeira vez aos Estados
Unidos como um grupo. Estavam acompanhados por fotógrafos,
jornalistas (incluindo Maureen Cleave, que realizou entrevistas com diversas
personalidades famosas), e pelo produtor musical Phil Spector, que se
tinha registrado no mesmo voo. Quando o voo 101 da PanAm tocou o
solo do recém-nomeado Aeroporto JFK em Nova York, às 13h20 da
tarde do dia 7 de fevereiro de 1964, uma grande multidão de pessoas
se aglomeraram no local. Os Beatles foram saudados por cerca de três mil
pessoas (estima-se que o aeroporto nunca tenha experimentado tal
número). Após uma coletiva de imprensa, os Beatles partiram em limusines para
a Nova Iorque. No caminho, McCartney ouviu o seguinte comentário corrente
numa rádio local: "Eles [The Beatles] acabaram de deixar o aeroporto e
estão próximos de Nova Iorque…" Quando alcançaram o Plaza Hotel,
foram recepcionados por diversos fãs – a maioria garotas – e repórteres.
Harrison teve uma febre de 39 ℃ no dia seguinte e teve que permanecer
em repouso, de modo que Neil Aspinall o substituiu no primeiro ensaio
da banda para a aparição deles no The Ed Sullivan Show. A
persuasão de Epstein havia dado certo.
Os Beatles quando chegaram no Aeroporto
JFK, na Cidade de Nova Iorque, em 7 de fevereiro de 1964: essa primeira
visita dos Beatles aos Estados Unidos é um dos momentos fundamentais da
história da banda e, mais amplamente, do rock mundial.
Os Beatles fizeram sua primeira
aparição ao vivo na televisão americana no The Ed Sullivan Show, em 9
de fevereiro de 1964. Aproximadamente 74 milhões de
telespectadores – cerca da metade da população americana – assistiu o grupo
tocar no programa. Na manhã seguinte, muitos jornais escreveram que The
Beatles não era nada mais do que uma "moda passageira", e que não levariam sua música por todo
o Atlântico. Em 11 de fevereiro de 1964, fizeram seu
primeiro concerto ao vivo nos Estados Unidos, no Washington Coliseum, em Washington,
D.C.. Se a apresentação no London Palladium é considerada como o
início da histeria em torno dos Beatles na Inglaterra, nos Estados Unidos esta
beatlemania tomou proporções ainda maiores desde a primeira ida do conjunto a
terras estado-unidenses.
Acredita-se que essa primeira visita
dos Beatles aos Estados Unidos é um dos momentos fundamentais da história da
banda e, mais amplamente, do rock mundial. A importância dessa visita é
analisada por diversos ângulos através de muitos fatores, como, por exemplo, o
fato de que, desde a década de 1960, os Estados Unidos já eram o maior mercado
consumidor de discos do mundo; para Epstein e para o grupo, seria um prestígio
começar a ser conhecido e bem vendido por lá, como era e ainda é natural nos
dias de hoje. O sucesso de diversas bandas inglesas e europeias – U2, Oasis, Cranberries –
é tido como resultado em grande parte devido à carreira dos Beatles e,
particularmente, à sua estadia nos Estados Unidos.

Depois do sucesso de 1964, as
gravadoras Vee-Jay e Swan aproveitaram os direitos que detinham das primeiras
gravações do grupo e decidiram reeditá-las; todas as canções atingiram o top dez
desta vez (a MGM e a Atco também garantiram os direitos das primeiras gravações
dos Beatles com o já citado Tony Sheridan e também tiveram hits
menores, como "My Bonnie Lies over the Ocean" e "Ain't
She Sweet", esta última com a voz de Lennon). Além de Introducing…
The Beatles, primeiro LP da banda no mercado americano, a
Vee-Jay também editou, em 1 de outubro de 1964, o The Beatles
Versus The Four Seasons, um relançamento duplo do Introducing… The
Beatles com outra capa, sendo que o lado B continha canções
do grupo americano The Four Seasons.[71] Através da sofreguidão da
Vee-Jay em faturar em cima da recém-iniciada beatlemania na América, lançou-se
outros discos, como o Songs, pictures and stories of the fabulous
Beatles, que foi lançado duas semanas após o disco duplo com The Four
Seasons, e que nada mais era do que o quarto reingresso de Introducing
The Beatles no mercado americano. "I Saw Her Standing
There" foi editada como o lado B do disco da América "I
Want to Hold Your Hand", e também foi incluída no álbum Meet
The Beatles, da Capitol. As faixas "She Loves You" e "I'll
Get You" da Swan foram editados em 10 de abril de 1964,
no LP The Beatles' Second Album, da Capitol. O Second Album vendeu
250 mil cópias no primeiro dia de lançamento nos Estados Unidos. A Swan
também editou uma versão alemã da "febre" "She Loves You",
chamada "Sie Liebt Dich" e que está presente em estéreo no
álbum Rarities, da Capitol.

Em meados de 1964 a banda, em todo seu
auge, iniciou suas primeiras aparições fora da Europa e da América
do Norte, viajando para a Austrália, Escandinávia e Holanda;
Ringo foi vítima de uma faringite e, hospitalizado, não pôde partir
para o primeiro destino deles, o território australiano. Starr foi substituído
temporariamente pelo baterista Jimmy Nicol, a convite de George
Martin que, inclusive, estava lucrando juntamente com a banda desde o
primeiro momento em que assinaram contrato na distante Liverpool. A estranha
reação do público diante de uma figura diferente assumindo a bateria durou
pouco, pois Ringo regressou com o tempo e eles partiram para a Nova
Zelândia em 21 de junho de 1964. Antes da volta do
baterista, em Adelaide, Austrália Meridional, os Beatles foram
recepcionados por cerca de trezentas mil pessoas no Adelaide Town Hall (isso
evidencia o estrondo que a banda já vinha fazendo por diversos países).
Em 6 de junho de 1964,
o filme que se tornaria um clássico cult, sendo considerado por alguns
como o grande precursor da ideia dos vídeos musicais – A Hard
Day's Night – foi lançado no Reino Unido, sendo o primeiro a estrelar
a banda. Dirigido por Richard Lester, o filme é sobre os quatro membros
que tentam, em território londrino, tocar em um programa de televisão. Lançado
no auge da beatlemania, inclusive focando-a na maior parte das cenas, embora
sem transformá-las em um documentário, o filme foi bem recebido pela crítica e
continua a ser um dos mais influentes no que se diz respeito à música. Em
paralelo, o álbum A Hard Day's Night, lançado no mesmo ano, foi o
primeiro do grupo a trazer só composições de Lennon/McCartney e
serviu como trilha sonora para o filme. Em novembro, lançaram o
compacto "I Feel Fine" e no mês seguinte o grupo lançou seu quarto
álbum: Beatles for Sale.

Em junho de 1965, Sua Majestade
Elizabeth II do Reino Unido condecorou os Beatles como Membros da
Ordem do Império Britânico. O grupo foi nomeado pelo primeiro-ministro Harold
Wilson, que também havia sido deputado em Huyton, Liverpool. A
nomeação estimulou alguns conservadores do MBE – primeiramente militares
veteranos e líderes cívicos – a devolverem suas próprias insignias como
protesto. Em julho do mesmo ano, o segundo filme estrelando os Beatles, Help!,
foi lançado. O filme acompanhou o lançamento do álbum homônimo, que serviu
como trilha sonora. Em 15 de agosto de 1965, os Beatles
fizeram o primeiro concerto da história do rock and roll num estádio aberto, ao
se apresentarem no estádio de beisebol Shea Stadium, Nova Iorque, para uma
multidão formada por 55.600 pessoas. O evento obteve uma grande
notoriedade e contou com os requintes de mídia disponíveis à época e a
disposição de Epstein era fazer um evento grandioso, digno de filmagens e
especiais de televisão nos Estados Unidos e Inglaterra. Chamados ao palco
pelo já conhecido Ed Sullivan, o quarteto ampliou ainda mais seu sucesso
nacional e internacional e o evento é tido como precursor: Cláudio Teran,
articulista da Internet sobre os Beatles, diz o seguinte num texto sobre a
data: "Sempre que um garoto for a um estádio de futebol, ou beisebol para
assistir ao show de uma grande banda de rock and roll, precisará saber que
aquilo um dia começou com a ousadia dos Beatles em encarar um desafio que
modificaria para sempre até o padrão técnico de sonorização de grandes
ambientes pelo mundo afora." Quanto à ousadia e à técnica de
sonorização, Teran quer dizer sobre o fato de que os conjuntos de equipamentos
que seriam necessários para o concerto acontecer e para a mídia filmar eram
muito pesados e exigiriam grande esforço. Além disso, o sistema de
iluminação, assim como o de áudio, favorecia menos facilidade do que os de hoje
em dia; no entanto, as imagens que se tem registradas foram bem realizadas.
O sexto álbum da banda, Rubber
Soul, realizado no começo de dezembro de 1965, foi recepcionado como um
grande salto do grupo para a complexidade e maturidade em sua estrutura
musical, por conter em suas canções letras e melodias mais
elaboradas. O lançamento dos compactos "Day Tripper" e "We
Can Work It Out" juntamente com o sexto álbum repetiram o sucesso
grandioso que o grupo mantinha desde 1963: foram aos primeiros lugares nas
paradas britânicas e americanas; segundo estimativas, venderam cinco milhões do
álbum e quatro milhões do compacto.
1966: Mudanças e controvérsias

Férias, casamento e prêmios: Nos três primeiros meses de 1966 a
banda tirou férias, após desistirem da ideia de lançar um novo filme em cima de A
Talent For Loving, cujo roteiro seria de Richard Condon. Nesses
meses, tiveram encontros em festas com os músicos Mick Jagger e Brian
Jones dos Rolling Stones, e compareceram na estreia do filme Alfie,
cuja estrela era Jane Asher, namorada, na época, de Paul. John e
Ringo não compareceram ao casamento de George em 21 de janeiro porque
viajavam para fins de semana no Caribe e na Suíça; George e a
modelo Patricia Anne Boyd embarcaram para uma lua de mel em Barbados,
nas Bahamas. Enquanto isso, os Beatles obtiveram naquele ano dez
indicações ao Grammy e, embora existissem restrições do regime
político na Polônia, as canções da banda começavam a ingressar
intensamente nas rádios daquele país.O ano de 1966 é visto como aquele em que a
banda assumiu sua nova atuação, que seria mantida até a separação do grupo, em
1970. Nessa época, o mundo já não era mais o mesmo e os Beatles fizeram
parte dessa mudança. Entre os acontecimentos mais destacados, estão a recepção
dos anglicanos frente ao Papa em Roma, a liderança de Martin
Luther King na marcha pelos direitos civis nos Estados Unidos, e
o bombardeio da Força Aérea Americana em Hanói, capital do Vietnam
do Norte. Pelo outro lado do planeta, a ciência se desenvolvia na chegada
da espaçonave soviética a Vênus (primeira nave terrestre a pousar
noutro planeta) e, na China, a proclamação da "Revolução
Cultural", que promoveu expurgos e perseguiu
intelectuais. Há quarenta anos, essa agitação pelo mundo não se apresentou
de forma menor nos quatro membros dos Beatles: Lennon, McCartney, Harrison e
Starr.

· Entrevista com Cleave, e a "Capa do Açougue": Em março, os Beatles foram
convidados a uma entrevista com a jornalista Maureen Cleave, do jornal
britânico "London Evening Standart". Nesta entrevista, John declarou
com tom crítico a seguinte frase: "O cristianismo vai acabar. Vai se dissipar
e depois sucumbir. Nem preciso discutir isso. Estou certo, e o tempo vai
provar. Atualmente somos mais populares que Jesus Cristo". A
declaração não causou nenhuma polêmica na Inglaterra. Depois, a banda posou
para uma sessão com o fotógrafo Bob Whitaker, que produziu fotos com matizes
surrealistas. Uma dessas fotografias foi utilizada na capa do próximo álbum Yesterday
and Today, que ficou cinco semanas em primeiro lugar vendendo um milhão e
meio de discos e só editado nos Estados Unidos, onde o quarteto está vestido
com jalecos brancos e segura bonecas despedaçadas junto a pedaços de carne. O
disco, referido frequentemente como "a capa do açougue" gerou
polêmica nos Estados Unidos: algumas pessoas atribuíram à foto uma mensagem
cifrada ou algo contra a Guerra do Vietnam, outros acharam que era uma
crítica ao desmembramento dos álbuns originais dos Beatles na América. A
Capitol recolheu os discos e substituiu as 750 mil capas prensadas.
· Humilhação nas Filipinas e prêmios na Inglaterra: Embora as Filipinas estivessem sob a
ditadura de Ferdinando Marcos, na capital Manilha os Beatles
foram recepcionados por cinquenta mil fãs que se aglomeraram no aeroporto. A
polícia filipina os separaram de Epstein e apreendeu sua bagagem, que continha maconha:
isto provocou problemas com as autoridades locais. Epstein controlou a
situação e, no dia seguinte, deram dois concertos no estádio superlotado Rizal
Memorial Football Stadium. Após as apresentações, a primeira-dama Imelda
Marcos organizou uma recepção no palácio presidencial para trezentos
filhos de oficiais da alta patente do exército daquele país e gostaria de
apresentá-los ao grupo. O não comparecimento à recepção promoveu
consequências inesquecíveis. No dia seguinte, jornais filipinos traziam manchetes
com expressões do tipo "Imelda plantada" (The Manila Times),
destacando que os Beatles haviam esnobado a primeira-dama. Por causa
desses acontecimentos, Epstein tentou esclarecer o mal-entendido numa coletiva,
mas a transmissão sofreu interrupções técnicas. Starr lembraria anos mais tarde
que o tratamento dos empregados no hotel tornaram-se mais frios depois do
ocorrido e que havia ameaças de bombardeios onde os Beatles estavam
hospedados. O grupo foi abordado pelo responsável do Escritório de Rendas
Internas que disse que os Beatles não deixariam o país até pagarem os impostos
que não haviam dado desde a chegada; Epstein pagou dezoito mil dólares. Os
quatro membros fizeram a pé a caminhada até o avião e aproximadamente trezentos
pessoas aguardavam a banda no aeroporto; na despedida, foram cuspidos,
empurrados e agredidos; a renda que conseguiram nos dois concertos foi
confiscada; após quarenta minutos de confusão, decolaram.
· Presley, Dylan e o "Somos mais populares que Jesus Cristo": A revista DateBook divulgava
a entrevista que Lennon concedeu a Cleave destacando a frase "Somos mais
populares que Jesus". Fundamentalistas cristãos se indignaram com a
frase de Lennon e protestaram. Uma rádio em Birmingham, Alabama,
organizou um boicote a execução das canções dos Beatles, e um ato em que os
discos da banda foram queimados publicamente em uma fogueira. Rapidamente
diversas estações de rádio americanas recusavam-se a tocar canções dos Beatles
em suas programações e, na África do Sul, houve o banimento de canções do
grupo em suas estações de rádio por cinco anos. Houve inclusive a manifestação
do Papa Paulo VI e do governo fascista de Francisco Franco, da Espanha,
que criticaram a postura de Lennon. John depois pediu desculpas
publicamente pela afirmação e foi perdoado pelo papa Bento XVI em 2008.
Elvis Presley desaprovou o
ativismo antiguerra e a legalização das drogas que os Beatles vinham afirmando
e mais tarde pediu ao então presidente Richard Nixon que ele
proibisse a entrada dos quatro membros nos Estados Unidos. Peter Guralnick
escreve que "Os Beatles, segundo Elvis, […] eram antiamericanos. Eles
vinham para os Estados Unidos, faziam fortuna, e voltavam para a Inglaterra. E
diziam coisas antiamericanas quando se encontravam por lá." Guralnick
adiciona: "Elvis acreditava que os Beatles lançaram bases para muitos dos
problemas que estávamos tendo com os jovens e suas aparências imundas, bases
essas encontradas na música sugestiva deles que ao mesmo tempo divertia o país
durante o início dos anos 1960 e meados." Apesar das observações de
Presley, em geral os Beatles o admiravam; Lennon, por exemplo, tinha
sentimentos positivos para com ele: "Antes de Elvis, nada
existia." Em contraste, o renomado cantor folk Bob Dylan reconhecia
a contribuição dos Beatles, e afirmou: "A América deve construir estátuas
dos Beatles. Eles ajudaram a trazer de volta o orgulho do país."
1966–69: Anos de estúdio e espiritualidade
Mais maduros, musical e pessoalmente,
os Beatles dedicaram-se à gravação do álbum psicodélico Revolver,
em que, em cada gravador – num total cinco equipamentos pesados que haviam sido
levados ao estúdio 3 da Abbey Road Studios – um técnico operava e o outro
segurava com um lápis a extremidade de laço feito pelas pontas das fitas
emendadas; o resultado foi uma mistura de rock psicodélico, balada,
R&B, soul e world music. Os Beatles haviam realizado seu
último concerto no Monster Park, São Francisco, em 29 de agosto de 1966. Este
foi o último concerto da banda no qual o público pagava ingresso. Sua última
apresentação foi nos telhados da Apple, no qual o público não pagou nada; leia
sobre na próxima sub-seção. A partir de então, a banda concentrou-se
apenas em gravações. Foram os momentos mais criativos do grupo. Menos de sete
meses após o Revolver, os Beatles voltaram ao Abbey Road em 24
de novembro para começar a produzir seu oitavo e mais aclamado álbum, Sgt.
Pepper's Lonely Hearts Club Band, que os ocupou durante 129 sessões e foi
lançado em 1 de junho de 1967. O álbum os popularizou ainda
mais.

Outro feito que popularizou o grupo –
que caminhava rumo ao seu final – surgiu em um segmento no programa Our
World, o primeiro programa do mundo ao vivo a transmitir, via satélite,
imagens para o mundo inteiro. Os Beatles foram transmitidos diretamente do
Abbey Road Studios e a nova canção, "All You Need Is Love", escrita
por Lennon, foi gravada ao vivo durante a apresentação, embora eles tivessem preparado
antecipadamente – num período de cinco dias – as gravações e a mixagem antes da
transmissão. A canção trazia uma mensagem de paz nos tempos da Guerra
do Vietnã. Os Beatles convidaram vários amigos para participarem do evento,
cantando o coro da canção – Mick Jagger, Eric Clapton, Marianne
Faithfull, Keith Moon e Graham Nash. O programa foi visto por
cerca de 350 milhões de pessoas em 26 países.

Poste de entrada do Strawberry Fields
com várias mensagens, em Liverpool: Lennon brincava pelo local quando
criança e, mais tarde, essa recordação serviu de inspiração para a canção Strawberry
Fields Forever. O grande portão de aço vermelho virou ponto turístico de
Liverpool.

Em Novembro e Dezembro de 1966, e até
janeiro de 1967, os Beatles gravaram dois compactos durante as sessões do Sgt.
Pepper: "Strawberry Fields Forever" e "Penny Lane", mas
elas acabaram não entrando no álbum. A "Strawberry…", escrita por
Lennon, – embora creditada à Lennon/McCartney – diz respeito a um orfanato patrocinado
pelo Exército de Salvação Inglês, chamado "Strawberry Field
Children's home", que se localizava perto da casa de John em Woolton,
Liverpool, número 25 da Avenida Beaconsfield, e onde ele pulava o muro e
brincava durante a infância no espaço arborizado, com os amigos Pete
Shotton, Nigel Whalley, e Ivan Vaughan. Ele começou a escrevê-la em finais
de 1966, em Almeria, Espanha, durante as filmagens de How I
Won the War, de Richard Lester, o mesmo diretor de A Hard Day's
Night. A Tia Mimi sempre levava John a festivais de verão que
aconteciam no orfanato de Strawberry Field. O orfanato original,
construído nos anos 1950, acabou sendo demolido e, depois, reconstruído: o que
sobrou do original foi o portão vermelho de aço, ponto bem famoso de
Liverpool. Além dos festivais de verão continuarem acontecendo anualmente,
em 1984 Yoko Ono e Sean Lennon visitaram o local e desde
então contribuem para sua melhoria. Tecnicamente, a estrutura desta canção
é escrita com uma chave de Si bemol maior. Ela começa com uma introdução
de mellotron – escrita e desempenhada por McCartney – e depois
continua no refrão. Depois de um curto silêncio dos instrumentos, a canção
volta para "tenebrosos" sons distintos com notas dissonantes,
espalhadas com a bateria, e depois Lennon diz: "cranberry sauce", ou
seja, doce de oxicoco. Nessa mesma canção, John diz: "Eu enterrei
Paul" e a canção foi incluída na lista de itens que reúnem fatos onde os
Beatles queriam mostrar que Paul estava morto e que outro cantor o
substituía. (Para mais informações, veja Boato da morte de Paul
McCartney.) A recepção da canção foi satisfatória: atingiu o oitavo lugar na
parada dos Estados Unidos, onde numerosos críticos a consideraram a melhor
canção do grupo e, em 2004, foi posta em 74ª na Lista dos 500 Maiores Sons
de Todos os Tempos, da Rolling Stone americana.

Vista da Penny Lane, em Liverpool:
os Beatles frequentavam o local diversas vezes e, mais tarde, essas recordações
fizeram Paul produzir Penny Lane. Repare na placa da rua, no canto
esquerdo, como ela traz diversas mensagens, possivelmente criadas por fãs da
banda.
Em contraste com
"Strawberry…", em que Lennon inspirou-se em recordações do passado, "Penny
Lane", escrita por Paul – embora igualmente creditada à Lennon/McCartney
–, que traz melodia e ritmo menos "tenebrosos" que a anterior, também
faz menção à recordações de McCartney: o cruzamento de cinco ruas formando uma
rótula de trânsito – roundabout, como dizem os ingleses – em
Liverpool, chamado "Penny Lane Roundabout", é uma área, hoje muito
famosa por causa da canção, onde John e George nasceram perto e,
consecutivamente, a qual os Beatles frequentavam muito. A primeira mulher
de John, Cynthia Lennon, tinha um apartamento em Penny Lane e trabalhava
na loja Woolworth, a uma quadra dali. Durante muito tempo, quase
diariamente, a prefeitura local precisava trocar as placas da rua, pois, por
virar ponto turístico, os fãs da banda a retiravam e levavam consigo ou, em
outros casos, rabiscavam; agora as placas de Penny Lane foram abolidas e o nome
passou a ser pintado diretamente nas paredes dos prédios da rua. Na letra
da canção, é como se Paul fosse o guia-turístico de uma excursão para o local:
ele refere-se, por exemplo, a um "barbeiro mostrando fotografias de cada
cabeça que teve o prazer de conhecer" – há um edifício branco numa das
esquinas da rua, chamado Tony Slavin, que era o local onde Mr. Bioletti, o
barbeiro, trabalhava e onde a barbearia funcionava – e a outros pontos da
cidade; Paul diz na canção: "Penny Lane está em meus ouvidos e em meus
olhos". Ao contrário do vídeo promocional de "Strawberry…", o
qual o grupo gravou em outro local que não o orfanato, o vídeo musical de
"Penny Lane" foi filmado na própria Penny Lane. Entre os instrumentos
usados no som, destacam-se a conga, o flautim e os pianos,
ao todo quatro. A canção também obteve uma recepção satisfatória: alcançou o
primeiro lugar na Billboard Hot 100 por uma semana e, em 2004, foi
incluída pela Rolling Stone americana na Lista dos 500
Maiores Sons de Todos os Tempos, permanecendo em 449ª lugar.
Em 24 de agosto de 1967,
os Beatles encontraram-se com o Maharishi Mahesh Yogi no Hotel Hilton
de Londres. Poucos dias depois, foram para Bangor, norte do País de
Gales, para assistirem uma conferência "inicial" de fim de semana.
Lá, o Maharishi deu a cada um deles um mantra. Embora estivessem em
Bangor, os Beatles ficaram sabendo que Brian Epstein, o empresário da banda,
aquele cujo nome foi muito responsável pelo sucesso do grupo, estava morto, aos
32 anos, em decorrência de, segundo o laudo, "morte acidental por overdose de
Carbitol", medicamento para insônia. Em finais de 1967, receberam sua
grande primeira crítica da imprensa britânica, crítica esta que era um conjunto
de opiniões depreciativas sobre o filme de televisão psicodélico Magical
Mistery Tour. A trilha sonora de Magical Mistery Tour foi
lançada no Reino Unido em um EP duplo, e nos Estados Unidos em um LP completo
(atualmente, a versão oficial é esse LP).


Com a morte de Epstein, o grupo necessitava de um novo empresário: em relação ao lado empresarial, Lennon, Harrison e Starr queriam o gerente nova-iorquino Allen Klein para gerir os Beatles, mas McCartney queria o empresário Lee Eastman, pelo fato de ele ser o pai da então namorada e futura esposa de Paul, Linda. Os outros três membros viam em Eastman um empresário que colocaria os interesses de Paul antes das do grupo (durante uma entrevista no Anthology, McCartney disse: "Olhando para trás, posso entender porque eles sentiam que Eastman tinha interesses tendenciosos a mim e contra eles.") Em 1971, descobriu-se que Klein, que havia sido nomeado gestor, roubou cinco milhões de libras esterlinas das explorações dos Beatles.Os quatro músicos passaram os primeiros meses de 1968 em Rishikesh, Uttar Pradesh, na Índia, estudando meditação transcendental com o Maharishi Mahesh Yogi. O ashram de Mahesh Yogi inspirou a criatividade do quarteto e em virtude de sua estadia nele, produziram algumas canções com referências à espiritualidade que a Índia tanto afirmava; canções estas que podem ser encontradas no White Album e em Abbey Road com composições de Lennon, McCartney e Harrison.Regressando, John Lennon e Paul foram para Nova Iorque anunciar a formação da Apple Records, uma corporação multimédia fundada em janeiro de 1968 pela banda com o intuito de substituir a sua empresa anterior (Beatles Ltd.), e de modo a formar um conglomerado. Em meados de 1968 a banda manteve-se ocupada no processo de gravação do álbum duplo The Beatles, conhecido popularmente como "Álbum Branco" por conta da capa ter cobertura branca. Essas sessões foram o cenário de desentendimentos entre os integrantes, com Starr deixando temporariamente a banda. Sem Starr, Paul assumiu a bateria e instrumentos de percussão nas faixas "Martha My Dear", "Wild Honey Pie", "Dear Prudence" e "Back in the USSR". As dissensões tiveram diversos motivos, sempre muito debatidos: a excessiva presença da nova namorada de Lennon, Yoko Ono, nas gravações; a arrogância de McCartney, que passava a querer ser o líder do grupo; ficou ainda mais difícil o grupo aceitar novas canções de Harrison para serem incluídas em seus álbuns.
Retomando: Sgt. Pepper's Lonely Hearts
Club Band
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967),
uma das mais famosas capas do mundo da música.
Retomando a época de criação do Sgt.
Pepper's…, como é comumente tratado, "foi um momento decisivo na
história da civilização ocidental", segundo a descrição de um crítico do The
Times. Dois dias depois do lançamento do disco, em 3 de junho de 1967, Jimi
Hendrix já tocava a faixa-título em seus concertos, o que deixou McCartney
particularmente emocionado. Além de ter sido o primeiro álbum de rock a
ganhar os Grammys de "melhor álbum do ano", "melhor álbum
contemporâneo", a "melhor capa" e a "melhor engenharia de
som", o Sgt. Pepper's…, quando colocado no mercado, bateu
todos os recordes de venda: vendeu um quarto de milhão de exemplares na Grã-Bretanha (somente
na primeira semana), permaneceu durante quase meio ano consecutivo no primeiro
lugar do topo de vendas – feito praticamente impensável hoje em dia – e é tido
como vanguardista, tanto pela música quanto pela originalidade da capa
que, inclusive, inspirou artistas do mundo inteiro. McCartney é tido como
o responsável pela ideia da capa.Ele havia esboçado um desenho em que uma
multidão assistia a banda Sgt. Pepper e recebia do prefeito uma copa ou troféu.
Robert Frazer, comerciante de arte e conhecido do grupo, levou Paul a conhecer Peter
Blake, um dos artistas pioneiros e fundadores da Pop Art; Blake desenhou
toda a capa, adicionando pessoas influentes de todo o mundo – escolhidas por
Lennon, Harrison, Starr e, claro, Paul – caracterizadas como bonecos de
papelão, sem contar os bonecos de cera dos Beatles.
1969-70: Último concerto e fim
Em janeiro de 1969, os Beatles
iniciaram um projeto cinematográfico que documentaria a realização de sua
próxima gravação, originalmente intitulado Get Back. Durante as
sessões de gravação, a banda realizou sua última apresentação ao vivo no último
andar do edifício da Apple Corps, em Londres, na tarde fria de 30 de
janeiro de 1969. A maior parte da apresentação foi filmada e,
posteriormente, incluída no filme Let It Be. A ideia de tocar no
telhado do prédio foi de Lennon. O concerto parou a rua inteira do prédio e,
rapidamente, o lugar ficou lotado de pessoas; inclusive, os vizinhos da região
logo espreitavam das sacadas o concerto. Os Beatles tocaram durante quarenta
minutos até a polícia local interferir pedindo que abaixassem o volume dos
instrumentos; Mal Evans explicou que não era qualquer pessoa que
estava tocando, e sim os Beatles. A apresentação terminou antes do previsto, e
tornou-se famosa. Com o projeto Let It Be temporariamente
suspenso, os Beatles gravaram seu penúltimo álbum, Abbey Road, no
verão de 1969. A conclusão da canção "I Want You (She's So Heavy)"
para o álbum em 20 de agosto de 1969 foi a última vez que o quarteto
reuniu-se em mesmo estúdio. Lennon anunciou sua saída para o resto do grupo em 20
de setembro, 1969, embora tenha concordado em não anunciar isso publicamente
até que determinadas questões jurídicas fossem resolvidas.
Em Março de 1970, a sessão de
fitas de "Get Back" foram entregues ao produtor americano Phil
Spector, que tinha produzido o compacto solo de Lennon – "Instant
Karma!". McCartney anunciou publicamente a dissolução em 10 de abril de 1970,
uma semana antes do lançamento de seu primeiro álbum solo, McCartney.
As cópias de pré-lançamento incluíram um comunicado à imprensa na qual
McCartney realizava uma entrevista consigo mesmo, explicando o fim dos Beatles
e suas esperanças para o futuro. Em 8 de maio de 1970, o álbum
resultante da edição de "Get Back" produzida por Spector foi lançado
com o título Let It Be, seguido pelo documentário de mesmo nome.
Legalmente, a parceria dos Beatles não foi dissolvida até 1975, embora
Paul tenha apresentado uma ação para a dissolução em 31 de dezembro de
1970, efetivamente terminando a carreira em conjunto da banda.
O motivo do fim da banda ainda é muito
discutido e pode ser descrito como uma série de eventos que,
resumidamente, os itens abaixo pretendem desenvolver.
· Morte de Epstein:
Brian Epstein foi indiscutivelmente o homem mais influente no lançamento e na
promoção da popularidade do grupo no mundo inteiro. Por ser o empresário da
banda, ele pôde manter o grupo reunido e mediar determinados conflitos que o
quarteto viesse a desenvolver entre si, mantendo-se na postura de ser a última
palavra, a última decisão. Quando morreu em 1967, deixou um vazio na banda.
McCartney provavelmente sentiu a situação precária e procurou iniciar projetos
que estimulassem a banda. Em última instância, a discórdia sobre liderança
gerencial seria um dos fatores precipitantes para a banda se dissolver.
· George Harrison como compositor: Nos primeiros anos, Paul e John eram os únicos compositores da banda,
enquanto que Ringo e George desempenhavam suas funções como baterista e
guitarrista, respectivamente. No entanto, de 1965 em diante, as composições de
Harrison ganharam maturidade e tornaram-se mais atraentes em suas
qualidades. Gradualmente os outros membros reconheciam seu talento como compositor, mas
cada vez mais George começou a se frustrar pelo fato de a maioria de suas
ideias e canções terem como fim a rejeição. Isso gerou confusão e,
consecutivamente, desavenças, principalmente entre Lennon e McCartney.
· Dificuldade em colaboração: De uma forma ou de outra, após o grupo parar de excursionar, cada um
dos integrantes começaram a seguir comportamentos autônomos: enquanto McCartney
via interesse no estilo pop e nas tendências da Grã-Bretanha e dos Estados
Unidos, Lennon tendia à música introspectiva e experimental, enquanto Harrison,
por sua vez, estava cada vez mais entusiasmado com a música indiana. Por
conseguinte, Paul começou a assumir o papel de líder dos projetos artísticos
dos Beatles. Além de cada membro ter começado a desenvolver uma agenda
cujos eventos exigiam cada vez mais individualidade – o que acabou
comprometendo o grau de entusiasmo em conjunto. Outro fator que contribuiu para
a fragilidade da banda foi a evidente falta de acordo já existente na época de
produção do "Álbum Branco".
· Yoko Ono: Lennon estava em um
frágil estado de espírito após o regresso da banda a partir de suas estadias na
Índia, no início de 1968. Ficou ressentido e desiludido com o fato do Maharishi
não ter preenchido suas expectativas. Lennon começou a desenvolver um imenso
interesse por uma artista nipo-americana, Yoko Ono, que se reuniu o
músico britânico em uma de suas exposições em 1966. Tiveram uma relação
platônica até a primavera de 1968. Enquanto a esposa de Lennon, Cynthia, estava
de férias, ele e Yoko lançaram uma fita que mais tarde seria lançada como a
famosa (e polêmica) "Unfinished Music No.1: Two Virgins". Até esse
momento, os dois não estavam completamente entretidos entre si, pois o acordo
da banda era que suas namoradas ou esposas não interferissem nos estúdios.
Contudo, como a produção artística de Lennon cresceu sob influência de Yoko
Ono, cada vez mais ele quis que ela entrasse nos processos de produção dos
Beatles e, consecutivamente, ela passou a frequentar os estúdios de
gravação. Frequentemente, Ono comentava e dava sugestões no estúdio de
gravação, o que parece ter aumentado as confusões entre ela e os três
companheiros de Lennon. Yoko é acusada por muitos fãs de ter
"dividido os Beatles", enquanto outros argumentam que sua presença
não era nenhum problema, e que os Beatles realmente se separaram pelas outras
razões aqui citadas (acima e abaixo).
· Situação empresarial:
Outra coisa que agravou a situação da banda foi o fato de que, sem Epstein,
eles procuraram empresários para geri-la, mas a tentativa desses empresários de
estabelecer um controle sobre a banda The Beatles falhou. Mesmo antes disso,
houve confusão entre os integrantes, pois não conseguiram entrar em acordo na
escolha de um novo empresário.
A formação da Plastic Ono Band, grupo
formado por Yoko e John, foi uma saída que Lennon encontrou para largar de vez
os Beatles. E, verdadeiramente, a ideia de sair da banda cristalizou-se quando,
em setembro de 1969, Yoko e Lennon foram recepcionados entusiasticamente como
artistas no Concerto de Rock and Roll de Toronto. Lennon informou sua
decisão para Allan Klein – até então empresário do grupo – e para McCartney em 20
de setembro de 1969. Ironicamente, no outono do mesmo ano, a banda
assinou um contrato negociando com a maior taxa de royalities. Esta
foi a última demonstração de unidade do grupo, embora de natureza transitória.
Outra divulgação revelou que o contrato de dissolução dos membros da banda foi
até 1976 coletiva e separadamente. Assim, este contrato renegociado precipitou
o final das ações legais que revogou a parceria em 1972.
Apesar de seus esforços em estimular a
banda, McCartney admitiu numa entrevista na revista americana Life que
a banda estava desestruturada, em novembro de 1969.Paul viu um conflito entre
seu álbum solo, McCartney, e o projeto do álbum e do filme dos
Beatles, Let It Be. "McCartney" foi lançado e a amargura
de Paul por conta de alguns incidentes – por exemplo, o fato dele ter ficado
insatisfeito com determinadas atitudes dos gerentes da banda – foi um fator
contribuinte para sua declaração pública de que havia saído dos
Beatles. No começo de 1971, McCartney abriu uma ação judicial para a
dissolução da relação contratual dos Beatles e, posteriormente, foi decretado.
1970-Presente: Pós-fim
Prédio da Apple Records na 3
Savile Row, lugar do famoso concerto Let It Be, feito no telhado
deste prédio: foi a última apresentação do quarteto tocando junto, em 30
de janeiro de 1969, em Londres.

Como já foi citado, em 1975 expiraram-se, legalmente, os direitos que a EMI-Capitol mantinha em cima do trabalho dos Beatles. Por causa dessa expiração do contrato que os Beatles tinham com a gravadora, a Capitol americana apressou determinadas produções com o intuito de ganhar dinheiro em cima da carreira do grupo, lançando cinco LPs: Rock 'n' Roll Music (compilação de trilhas consideradas por muitos como "quintessencial" do rock), The Beatles at the Hollywood Bowl (contendo canções gravadas ao vivo no Hollywood Bowl, em Los Angeles, durante a turnê de 1964 e 1965), Love Songs (compilação de canções gravadas entre 1962 e 1970), Rarities (compilação de faixas que nunca haviam sido realizadas nos Estados Unidos) e Reel Music (compilação de faixas apresentadas em seus filmes). Houve também um não lançamento intitulado Live! at the Star-Club in Hamburg, Germany; 1962, uma gravação de uma antiga apresentação do grupo no Star Club, em Hamburgo, Alemanha, capturada em uma fita de má qualidade. De todas essas realizações póstumas, somente The Beatles at the Hollywood Bowl teve a aprovação dos quatro membros. Após o lançamento americano dos álbuns britânicos originais em 1986, todas essas compilações póstumas americanas foram suprimidas do catálogo da Capitol.Pouco antes do fim dos Beatles, um tanto tímidos, e, posteriormente, de forma definitiva, todos os quatro membros lançaram álbuns solo. Alguns destes álbuns destacaram contribuições por outros ex-Beatles; o álbum Ringo (1973), de Starr, foi o único a incluir composições e apresentações do quarteto, embora em canções separadas. Harrison mostrou sua consciência sociopolítica e ganhou respeito por sua contribuição como organizador do Concerto para Bangladesh em agosto de 1971, em Nova Iorque, com o maestro de sitar Ravi Shankar. Com exceção de uma sessão não editada em 1974 (produzida mais tarde como A Toot and a Snore in '74), Lennon e McCartney nunca mais gravaram juntos.
John Lennon foi morto a tiros em 8
de dezembro de 1980 por Mark David Chapman, em Nova Iorque.
Em maio de 1981, George Harrison lança All Those Years Ago,
compacto que fala sobre seu tempo com os Beatles e homenageia Lennon. Conta com
a participação de McCartney, Ringo e Linda McCartney. Em abril de 1982, Paul
lança o álbum Tug of War, que inclui uma música em tributo a John,
chamada "Here Today".
Em 1988, os Beatles foram incluídos no Hall
da Fama do Rock and Roll durante seu primeiro ano de eligibilidade. Na
noite de sua indução, George e Starr apareceram para aceitar sua adjudicação,
junto com a viúva Yoko Ono Lennon e seus dois filhos. McCartney permaneceu
longe, comunicando à imprensa que estava "resolvendo dificuldades" com
Harrison, Starr e com as propriedades de Lennon.
Guitarras gigantes do lado de fora do Hall
da Fama do Rock and Roll, em Cleveland, Estados Unidos: em 1988 os
Beatles entraram para esse Hall do Rock and Roll.
Em fevereiro de 1994, os três Beatles
ainda vivos se reuniram para produzirem e gravarem canções adicionais para
algumas gravações que eram de Lennon. Uma dessas canções, "Free as a
Bird" estreou como parte da série de documentários The Beatles
Anthology e lançada como compacto em dezembro de 1995, seguida de
"Real Love" em março de 1996. Essas canções também foram incluídas
nas três coleções de álbuns da Anthology, lançados em 1995 e 1996,
cada uma composta por dois CDs de um material inédito dos Beatles, nunca
lançado antes. Klaus Voormann, que tinha conhecido os Beatles desde a excursão
em Hamburgo, e que tinha anteriormente ilustrado a capa do Revolver,
dirigiu a concepção da capa do Anthology. Cerca de 45 mil
exemplares do Anthology 1 foram vendidos em seu primeiro dia
de lançamento. Em 2000, surgiu a compilação One, contendo as 27
canções de maior sucesso da banda de 1962 a 1970. A coleção vendeu 3,6 milhões
de cópias em sua primeira semana e mais de 12 milhões de euros em três semanas
em todo o mundo. A coleção também chegou ao primeiro lugar nos Estados Unidos e
em outros 33 países, e tinha vendido 25 milhões de cópias em 2005 (tornando-se
o nono álbum mais vendido de todos os tempos).
Em finais de 1990, Harrison foi
diagnosticado com câncer de pulmão e, desde então, lutou contra a
doença, porém sucumbiu a ela em 29 de novembro de 2001. Em 2006,
George Martin e seu filho Giles Martin remixaram algumas gravações
originais dos Beatles com o objeto de criar uma trilha sonora na
produção teatral do Cirque du Soleil, intitulada LOVE. Em
2007, McCartney e Starr uniram-se para uma entrevista no Larry King
Live e falaram sobre seus pensamentos em relação a essa apresentação e
a outros momentos da carreira de ambos; as viúvas Yoko Ono e Olivia
Trinidad Arias também apareceram com os dois únicos ex-Beatles restantes
em Las Vegas, para a comemoração de um ano da apresentação.
Estátuas dos Beatles em Liverpool.
Considera-se o hit She Loves
You (1963), composto pela dupla Lennon/McCartney, a primeira grande
revolução musical protagonizada pela banda. Se até então, o rock era composto
basicamente por 3 acordes simples, batida forte, insistente e uma melodia de
fácil memorização, nesta canção, são utilizados acordes dissonantes de sexta
maior e sétima maior, até então, possíveis apenas no jazz: Mi menor → La Maior
com 7º → Do Maior → Sol Maior (adicionando à 6º). A incorporação da dissonância
ao rock, foi o primeiro grande legado do grupo à música popular do século XX. A
letra, embora romântica, foge da dicotomia "menino-menina", para a
incorporação de um terceiro elemento: O protagonista, um rapaz que avisa ao
amigo que a namorada o ama, e que, "com um amor assim, deveria sentir-se
feliz". O uso da 3ª pessoa no discurso foi ideia de Paul. Embora simples,
"She Loves You" torna-se o embrião do espírito "paz e
amor", que viria a desenvolver-se na segunda metade dos anos 1960.
Destaque também para o uso da expressão "Yeah", ideia de John Lennon,
expressão essa que viria a tornar-se marca registrada do Rock. A constante
busca dos Beatles em criar novos sons a cada gravação, combinada com as
habilidades presentes nos arranjos de George Martin e, particularmente, com os
conhecimentos técnicos da equipe do estúdio da EMI - como os produtores Norman
Smith, Ken Townsend e Geoff Emerick - fez com que a banda
influenciasse a forma como a música passou a ser gravada em vários sentidos. No
single "I Feel Fine", John Lennon realizou pela primeira vez a
utilização de um feedback, como efeito de gravação. Fato que abriria um enorme
campo de pesquisas na utilização de efeitos especiais com guitarra,
influenciando entre outros, Jimi Hendrix.O conjunto dessas produções são
apresentados em álbuns como Rubber Soul (1965), Revolver (1966)
e Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967).
Os Beatles continuaram a absorver
influências mesmo depois de seus primeiros sucessos, encontrando frequentemente
novas avenidas musicais e líricas escutando seus contemporâneos. As influências
musicais incluem The Byrds e The Beach Boys, cujo álbum Pet
Sounds foi um dos preferidos de McCartney. George certa vez
comentou que "Sem Pet Sounds, Sgt. Pepper não
teria existido… Pepper foi uma tentativa de igualar Pet
Sounds." Outra influência da banda foi Presley, que Lennon chamou
de faísca porque ele o fez se interessar pela música:
Foi Elvis quem realmente me levou a
comprar discos. Eu achava seus primeiros materiais ótimos. A era de Bill
Haley passou perto de mim, de certa forma, pois quando suas gravações
apareceram nas rádios, minha mãe começou a ouvi-los, mas não senti nada de
especial por eles. Foi Elvis quem me fez ficar viciado no gênero de música
beat. Quando ouvi seu 'Heartbreak Hotel', pensei: ‘isso é o que é’ "
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Utilizando técnicas de estúdio como efeitos
sonoros, colocações não-convencionais de microfone e outros instrumentos, loops em teipes,
técnicas de double tracking e variações de velocidade em
áudios, os Beatles começaram a aumentar as gravações onde seus intrumentos eram
utilizados de maneiras que não as convencionais e suas músicas inovaram o rock
da época e das outras gerações. Isso inclui naipes de metais e corda,
assim como instrumentos indianos como a cítara em "Norwegian
Wood (This Bird Has Flown)" e o swarmandel em "Strawberry Fields
Forever". Eles também utilizaram precocemente instrumentos
eletrônicos, como o mellotron junto às vozes de flauta na
introdução de "Strawberry Fields Forever", e o clavioline,
um tipo de teclado eletrônico que criou um som não-usual em "Baby You're a
Rich Man".
Começando com a utilização de um quarteto
de cordas em "Yesterday" (1965), os Beatles foram pioneiros no
gênero art rock, exemplificado em escolhas ousadas como o duplo-quarteto
de cordas em "Eleanor Rigby" (1966), e em "She's Leaving Home"
(1967). Uma apresentação de Concertos de Brandenburgo, de Bach,
mostrada na televisão britânica na época, inspirou McCartney a usar o flautim no
arranjo de "Penny Lane". Os Beatles desenvolveram o rock
psicodélico com "Rain" e "Tomorrow Never Knows" de
1966, e "Lucy in the Sky with Diamonds", "Strawberry Fields
Forever" e "I Am the Walrus" de 1967, entre outras, todas
composições de Lennon baseadas nas estéticas impressionista e surrealista, além
da filosofia contracultural.
A reunião de música pop com música
erudita, presente em "Yesterday", em que os Beatles gravaram rock and
roll com acompanhamento de uma orquestra de câmara e cujos arranjos
estiveram a cargo do próprio McCartney e de George Martin, foi pioneira.
Segundo McCartney, a canção surgiu em um sonho que teve, e durante algum tempo
ele ficou com receio de que fosse plágio. Um fator com maior e melhor
prestígio ainda está presente em "A Day in the Life", a primeira
canção de rock a ser acompanhada por uma orquestra sinfônica. Presente
em Sgt.Pepper, a faixa impressionou pelos barulhos e sons estranhos
no meio da canção, porque, até então, nada havia de parecido na história do
rock and roll. A parte as tentativas de outras bandas em criarem uma ópera
rock, foi o ato de desmembrar uma canção em duas partes formando um início e um
fim, com a introdução de um pequeno trecho que funciona como um entreato para o
tema, que fez com que A Day in the Life pudesse ser considerada a primeira
opereta do rock, e não uma simples medley de canções. A ideia de juntar partes
distintas e formar uma única canção foi de John Lennon, que compôs a maior
parte da música sendo seu início e fim, e tomando de Paul um pequeno trecho
independente com o qual trabalhava. No ano seguinte, em 1968, o trabalho da
banda também contemplou os estilos folk e hard rock, em composições como "Rocky
Raccoon" ou "Revolution", composição de Lennon considerada
precursora do punk rock. O grupo voltaria a inovar, com o que para muitos seria
a primeira canção "heavy metal" da história (embora existam
outras candidatas ao posto): A canção "Helter Skelter", contida no
álbum branco. McCartney, inspirou-se no guitarrista Pete Townshend, da
banda "The Who", que afirmou, no lançamento do single "I Can See
For Miles", que aquela era a canção mais "alta, suja e
barulhenta" que haviam feito até então. Ao ouvi-la, Paul tratou de criar
junto com os outros Beatles sua própria ópera barulhenta e suja. Em Revolution
9 também do álbum branco, Lennon realizou uma colagem de sons típica de
música concreta e avant-garde. O modo de produção e utilização de arquivos
sonoros por Lennon permitiu a posterior criação do sampler, ferramenta
essencial - por exemplo - na música eletrônica.
Influência na cultura popular
Pessoas atravessam a calçada na rua
Abbey Road. Os pedestres imitam as poses em que os Beatles aparecem na capa do
LP "Abbey Road". Cenas como essas tornaram-se comuns e famosas devido
ao álbum dos Beatles.
A chegada dos Beatles na rádio é vista
como um marco na música que sinaliza um fim à era do rock and roll da década de
1950: diretores de programas radiofônicos, como Rick Sklar da WABC (AM) de Nova
Iorque, proibiam DJs de lançarem na programação qualquer música
"pré-Beatle".
Alguns lançamentos dos Beatles, como
seus álbuns, foram imitados por diversos artistas, inclusive brasileiros. Por
exemplo, a capa do Abbey Road é muito parodiada por diversos
lugares, desde capas de outras bandas, como fotos de usuários da Internet, que,
em Londres, passam pelas faixas brancas imitando os Beatles, ou fazem montagens
em cima do original. Na televisão americana, foram muitos os desenhos animados
que se referiram aos Beatles, a maioria apresentando um tom cômico. Talvez o
mais visível seja Os Simpsons, embora a banda tenha sido citada
também em episódios do Bob Esponja e As Meninas Superpoderosas.
Dentre as muitas referências culturais
dos Beatles, até mesmo a faixa de pedestres em frente aos Estúdios Abbey Road,
onde tiraram a foto usada na capa do álbum Abbey Road foi
imortalizada, tornando-se patrimônio histórico oficial da Inglaterra.
Pioneirismo
George Harrison, quando nos Beatles,
tornou-se o primeiro músico a fundir instrumentos e, respectivamente, sons
orientais com a música do rock; embora famoso, no entanto, este feito -
demonstrado em "Norwegian Wood", onde há o uso da sitar (instrumento
musical da família do alaúde e instrumento símbolo da música da Índia) - não
foi o único que colocou a banda no patamar de pioneira.
Com "Twist and Shout", "Can't
Buy Me Love", "She Loves You", "I Want To Hold Your Hand"
e "Please Please Me", lançados em março de 1964, tornaram-se
iniciantes em ocupar os primeiros cinco lugares no topo norte-americano. Rubber
Soul, de 1965, foi o primeiro álbum onde não havia o nome do artista em sua
capa. Na época dos Beatles, os compactos eram curtos, mas "Hey Jude",
com mais de sete minutos, mudou esse conceito. Foram a primeira banda britânica
a fazer sucesso fora de seu país e a primeira de rock a fazer sucesso mundial.
Com "Yellow Submarine", foram os primeiros roqueiros a escreverem
canções com temáticas infantis. Em suas peregrinações à Índia, tornaram-se
os primeiros a misturarem rock e misticismo. A primeira distorção de violão
divulgada em gravação foi em "I Feel Fine".
O concerto no Shea Stadium tornou-os
pioneiros na produção e realização de apresentações em estádios a céu aberto e
participaram da primeira transmissão mundial via satélite cantando ao vivo "All
You Need Is Love", no projeto Our World, em 1967. Foram a
primeira banda de rock a fazer carreira no cinema e a primeira a produzir um
disco conceitual de rock: Sgt. Pepper Lonely Hearts Club Band. Este
mesmo disco fez com que eles fossem os primeiros a gravarem em quatro canais.
Curiosamente, os Beatles foram o primeiro grupo a se separar.






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